
~ Da história do Boneco:
Em uma cidade pequena, suspeitamente chamada de Cidade dos Sofrimentos, havia uma rua que se destacava somente com lojas, nessa mesma bem no seu final, havia um pequeno estabelecimento de brinquedos, mas ninguém se atrevia a entrar lá, era uma loja estranha, daquelas casas antigas, com uma janelinha redonda indicando o sótão, e uma porta de madeira descascando, a pintura com uma cor meio que amarronzada, sua estrutura não vem ao caso. Lá vivia um velho, que ficava a montar seus brinquedos, brinquedos que supostamente eram os melhores e mais belos da cidade, diziam más línguas que o velho tinha um pacto com o Diabo, e por isso era capaz de tamanha façanha. Mesmo tendo os melhores produtos não havia um pai que deixasse seu filho brincar com tais entretenimentos.
O velho estava cada vez mais rancoroso e rabugento, estava se trancando em seu mundo, o coitado não sabia que aquilo assustaria mais e mais as pessoas, que nunca conseguiriam entendê-lo, talvez por inveja, quem sabe? Sentindo que seu fim logo chegaria, resolveu fazer sua obra prima e depositar nela todos os seus talentos, de tal forma que se transformasse no seu melhor brinquedo, e mesmo que ninguém nunca tivesse procurado brincar com eles, saberia que um dia seria reconhecido, aos olhos de alguma boa pessoa. Partiu ao trabalho, começou a modelar, em um pequeno tronco que havia no seu quintal, um boneco, ele não o via como um brinquedo, mesmo sem ainda estar pronto, já imaginava seu rosto, seu corpo, suas qualidades... Imaginava até mesmo uma personalidade... e não, essa não era uma história de um novo pinóquio.
Demorou alguns meses fazendo seu novo trabalho, meses bem depositados, coloca sua alma no feito, e estando pronto deu seu último suspiro... E mal conseguiu desfrutar de sua nova invenção, faleceu ali ao seu lado, mas, faleceu com um pequeno sorriso aparente...
Depois de sua morte a loja foi fechada, não foi destruída, foi datada como patrimônio, mas ali ficou interditada durante anos, junto com todos os brinquedos, mesmo o velho estando morto, aquelas más línguas diziam que ele ainda habitava aquela casa... Já o boneco foi posto num canto, um cantinho da casa onde a luz lunar entrava, talvez fosse o velho que voltava para mais uma vez rever sua obra... Talvez apenas quisesse sentir a euforia de uma criança ao brincar, com seus diversos brinquedos... Não podia adivinhar que, a humanidade mesmo em olhares de crianças já não era a mesma de muito tempo atrás...
E lá se foi anos e anos de poeira...
Em uma cidade pequena, suspeitamente chamada de Cidade dos Sofrimentos, havia uma rua que se destacava somente com lojas, nessa mesma bem no seu final, havia um pequeno estabelecimento de brinquedos, mas ninguém se atrevia a entrar lá, era uma loja estranha, daquelas casas antigas, com uma janelinha redonda indicando o sótão, e uma porta de madeira descascando, a pintura com uma cor meio que amarronzada, sua estrutura não vem ao caso. Lá vivia um velho, que ficava a montar seus brinquedos, brinquedos que supostamente eram os melhores e mais belos da cidade, diziam más línguas que o velho tinha um pacto com o Diabo, e por isso era capaz de tamanha façanha. Mesmo tendo os melhores produtos não havia um pai que deixasse seu filho brincar com tais entretenimentos.
O velho estava cada vez mais rancoroso e rabugento, estava se trancando em seu mundo, o coitado não sabia que aquilo assustaria mais e mais as pessoas, que nunca conseguiriam entendê-lo, talvez por inveja, quem sabe? Sentindo que seu fim logo chegaria, resolveu fazer sua obra prima e depositar nela todos os seus talentos, de tal forma que se transformasse no seu melhor brinquedo, e mesmo que ninguém nunca tivesse procurado brincar com eles, saberia que um dia seria reconhecido, aos olhos de alguma boa pessoa. Partiu ao trabalho, começou a modelar, em um pequeno tronco que havia no seu quintal, um boneco, ele não o via como um brinquedo, mesmo sem ainda estar pronto, já imaginava seu rosto, seu corpo, suas qualidades... Imaginava até mesmo uma personalidade... e não, essa não era uma história de um novo pinóquio.
Demorou alguns meses fazendo seu novo trabalho, meses bem depositados, coloca sua alma no feito, e estando pronto deu seu último suspiro... E mal conseguiu desfrutar de sua nova invenção, faleceu ali ao seu lado, mas, faleceu com um pequeno sorriso aparente...
Depois de sua morte a loja foi fechada, não foi destruída, foi datada como patrimônio, mas ali ficou interditada durante anos, junto com todos os brinquedos, mesmo o velho estando morto, aquelas más línguas diziam que ele ainda habitava aquela casa... Já o boneco foi posto num canto, um cantinho da casa onde a luz lunar entrava, talvez fosse o velho que voltava para mais uma vez rever sua obra... Talvez apenas quisesse sentir a euforia de uma criança ao brincar, com seus diversos brinquedos... Não podia adivinhar que, a humanidade mesmo em olhares de crianças já não era a mesma de muito tempo atrás...
E lá se foi anos e anos de poeira...

~ Da história do Menino:
Aquele menino não era diferente de muitos outros, era apenas solitário... Não tinha muitos amigos, e seus pais eram grandes empresários que viviam viajando e o deixando a mercê da empregada, que nem dava bola para ele, queria mesmo saber é de se trancar no quarto com o namorado, fazendo barulhos que o menino desconhecia, ou fingia desconhecer. Ele nunca falou para os pais o que realmente sentia, mesmo porque eles não tinham tempo, ele os amava, mais não recebia atenção, sentia-se desprezado, sozinho... O que mais queria era uma chance para viver normalmente ao lado dos pais, sem restrições, sem celulares, sem viagens, e sem aqueles compromissos que atrapalham nas horas mais desapropriadas.
Naquele manhã ele acordava cedo, e se preparava para mais um dia sem companhia, tomou seu café, naquele mundinho meio amargo, vestiu-se e foi para a escola, que não era muito longe dali, gostava de sair mais cedo para explorar caminhos desconhecidos, único prazer de uma mente sem sonhos, ele percebia que aquele dia estava diferente, o céu nublado, como se fosse chover, e mesmo que chovesse queria achar um novo caminho, um caminho que o desse um pouco de alegrias, o que ele não tinha ultimamente, andou e andou, até que por ingenuidade, chegou numa rua que nunca estivera antes...
A rua das lojas...
Resolveu entrar adiante nela, foi seguindo mesmo achando estranho. Todas as lojas não lhe interessaram como aquela... A última, mesmo sendo tão feia, acabada, lhe chamou atenção de tamanha forma, que contrariado pelos instintos, resolveu entrar, a porta se abriu facilmente, com um ranger tão alto que o eco se sobressaia pela rua toda, mas nenhuma alma viva saiu para olhar, era uma rua sinistra, parecia que com o fim da loja de brinquedos as demais lojas haviam perdido algo também...
Ao por seus pés dentro da casa sentiu um arrepio que seguiu por toda sua espinha, deixando-o meio que receoso, só via panos empoeirados, com os poucos feixes de luz, deu um passo para o primeiro grande pano, o puxou, e por alguns instantes uma nuvem de poeira recobriu o local, assim que se cessara, ele viu... Sentia-se uma nova criança, rodeado de brinquedos, não que não tinha mas aqueles eram diferentes, sentia uma energia saindo deles, era como se aquilo fosse o consumir e aquela manhã nem sequer foi à escola, nem almoçar, mesmo porque a empregada nem ligava, passou o dia, literalmente, de folga, não havia sido tão criança como naquele instante.
Anoitecendo resolveu ir para casa, mas prometeu para os brinquedos que voltaria no dia seguinte... O seu chegar em casa não foi normal, estava com um sorriso enorme na face, e que mesmo a empregada embora não ligasse, notou e o perguntou o que havia sido tão bom... Ele se voltou e respondeu com seus dentes escancarados: “Voltei a ser feliz...”. Ele não queria trazer os brinquedos para casa... Ele parecia não se contentar com eles, o local o trazia alegria também, resolveu então que lá seria seu local predileto em todo o mundo, pelo menos nos instantes de felicidade exarcebada... No dia seguinte acordou mais que entusiasmado, saiu correndo nem parou para comer, pegou uma fruta e se foi. Já recordara o caminho, era como se tivesse ido lá várias vezes, e chegando abriu a porta novamente rangendo, entrou rapidamente. Dessa vez não foi na primeira estante, puxou um novo pano, passou o mesmo suspense do dia anterior, subiu aquela nuvem de poeira... Que ao se cessar foi aberta com um sorriso, ele via novos brinquedos, juntando com os já vistos, brincou pelo dia inteiro. Ele não se cansava, era um êxtase enorme. Quanto mais se divertia mais o tempo passava e anoiteceu e mais uma vez ele se foi... Os dias se repetiam assim, durante algumas semanas, quase um mês, até que as estantes acabaram, não havia enjoado, mas estava curioso de se havia ou não mais daquelas maravilhas invenções... Ele observou pela primeira vez um pouco além da primeira sala, viu um novo cômodo, escuro com apenas um feixe de luz que metia num canto iluminando bem pouco um objeto estranho, tão escuro que não teve coragem de entrar lá sem luz, resolveu que no dia seguinte voltaria lá com uma vela, contentou-se com os brinquedos já descobertos. Na manhã seguinte, ao acordar a primeira coisa que fez foi correr direto para a empregada e pedir uma vela, ela desinteressada como sempre, abriu uma gaveta e simplesmente o entregou, logo ele saiu em disparada a sua nova aventura, passava pelas ruas, o caminho já estava gravado na sua mente. Na casa acendeu a vela com alguns fósforos que comprara no caminho, e foi entrando na sala escura, a luz iluminou toda a sala, que não tinha nada além do objeto estranho no canto, de primeira não tinha visto tal objeto, mais quando viu ficou sem reação, era como se fosse algo além de sua imaginação, era encantador demais... E ele que já tinha brincado com todos os brinquedos, viu um, diferente, meio que com uma expressão triste, o menino se identificou de primeira com o boneco, correu e sentou–se ao seu lado, colocou a vela ali perto e pegou-o no colo, correndo para a sala iluminada, para poder apreciá-lo melhor, nem sequer olhou para os demais brinquedos, estava encantado em excesso... Se antes ele dizia que nunca levaria os brinquedos dali, agora decidiu que aquele seria o único. Nem ficou mais tempo, pegou o artefato e correu para casa... E lá continuou a brincar com seu novo cúmplice até adormecer.
No dia que se segue, ele acordou já com o boneco nos braços, decidiu voltar a casa para poder brincar com o boneco e com os demais brinquedos, tomou seu café, pressa nem tinha mais, tendo seu amigo ao lado a euforia podia esperar, quando saiu passou pelos mesmos becos de sempre... Pena, ao chegar a casa, já não havia mais um sequer suspiro de energia... A casa havia se incendiado, talvez por algum descuido... Um pequeno deslize, o menino estava tão desligado da realidade no dia anterior que esquecera de apagar aquela vela... Apesar de ter destruído seu local predileto, não estava mais triste porque estava com seu boneco são e salvo... Agora não teria aqueles brinquedos, mas seu predileto ali estava. Tanto é que ninguém se importou muito com a destruição da pequena loja, para eles era o velho quem destruíra fora para se vingar de todas as más línguas...
Muitas semanas se passaram enquanto o menino e o boneco se divertiam, o garoto idealizava seus momentos ao lado daquele brinquedo, que alias para ele não era um simples utensílio, ele parecia que não precisava de mais nada, só de estar com seu amigo já satisfazia todas as suas angústias.
Bom, mas como toda história de vida, que não tem nada haver com filmes de comédia romântica com um final feliz, com todos em melhores amores e vivendo como se nada os interrompesse, chegou o final trágico, e por um lado ela era. Os pais do menino voltaram de viagem, mas dessa vez voltaram diferentes, haviam passado por uma EQM (experiência de quase morte), num momento em que o avião parecia que iria cair, a vida dos pais passou-se inteira nas mentes deles, e nesse momento perceberam o quanto estariam deixando para trás, o quanto desperdiçariam se morressem naquele momento e deixarem de aproveitar do maior presente que a vida já lhes deu... Seu filho. A sorte foi que o avião mesmo que por um momento já estava perdido, o piloto conseguiu os salvar, com uma manobra que nunca ele esqueceria... Sorte, ou ironia da vida.
Os pais do garoto chegaram abrindo bruscamente a porta, parecia que estavam totalmente desnorteados, logo agarraram o menino e o cobriram de beijos e abraços. Ele ali, acostumado com a vida de solidão, achou aquilo bem estranho, não sabia que sua vida mudaria depois daquilo. Seus pais começaram a dispensar as longas viagens para ficar mais ali presente na vida do filho, a família começava a se reestruturar, eles já tinham até mesmo começado de vez, a se chamarem de “família ideal”. Mais um lado triste da história...
Aquela obra prima do velho, que fora criado para satisfazer a solidão de uma inocente criança, ficou de lado, o menino nem mais ligava para os “sentimentos” daquele que um dia o salvou de uma perdição, o boneco ficou em um canto, igual o da casa antiga dele, empoeirando e lá ficou durante semanas e semanas intermináveis.
Alguns meses depois o menino se lembrou dele, queria mostrar para seus pais o seu mais fantástico brinquedo, correu para o quarto... Quando efetivamente chegou lá... Seu boneco havia sumido... Mas deixou uma pequena farpa... Uma farpa que um dia o menino valorizou durante uns poucos momentos felizes...
O menino então se percebeu novamente só...
Mas dessa vez, não era uma solidão qualquer
Era um sentimento de indignação, ele percebeu que
seu maior amigo foi perdido, ele sabia que poderia superar mas sua alma nunca o fez...
Eem semanas voltou a sua vida normal com seus pais ao seu lado, mas dessa vez faltava-lhe algo.
Uma farpa de sua alma...
O boneco? Não se sabe... Ele simplesmente resolveu que era melhor comer aquela maçã envenenada do que ficar mais uma vez só, depois de ter experimentado de um doce néctar da vida, chamado de amor... O primeiro. Agora aquele doce se transformara em puro teor de nada... E o que restou daquele néctar acabou por si mesmo lubrificando o seu próprio túmulo... E fogo tornou parte do corpo emadeirado, que logo se juntou a seu antigo lar... De cinzas...
~//~

Adoreii seu blog, mtoo bom
ResponderExcluirBjus
Uh.. terminei de ler.
ResponderExcluirgrande demaaaaaaaais.. mas ficou legal.
ResponderExcluirMais uma fábula moderna. Pena que um número pequeno de pessoas se lembra que tem um filho, ou pelo menos as implicações disso. Talvez sói tenhm por força do hábito... mas enfim, não desviando do assunto.. rs..!
ResponderExcluirTento mesmo acreditar que ninguém ocupa o lugar de ninguém, cada pessoa tem um lugar separado. Talvez em alguym momento você se aproxime mais de uma ou de outra pessoa,mas todas estão cativas. O que nos mata aos poucos é começar a desaparecer aos poucos, é descubrir que não somos mais o centro do universo de alguém. Quiçá, no fundo todos nós não passamos de crianças grandes, que sempre que encontram um brinquedo novo correm em sua direção. Mas sempre existiram aqueles brinquedos especiais que mesmo empoeirados não conseguem competir com os novos: porque falta-lhes uma coisa, aquela sensação de seguranças que poucas coisas conseguem nos trazer.
Lindo o texto!
bJ!